Cadê o sêo Manoel
Cadê o sêo Manoel
Acabou o trabalho e o Sêo Manoel sumiu. Ficava me perguntando: o que será feito dele. Uma manhã de domingo, todo sorridente aparece o Manoel. “Estou trabalhando numa obra aqui no Paraíso”, só queria avisar a senhora.
-Pois é Sêo Manoel. Várias vezes me perguntei: Cadê o Sr. Manoel!!!!
Com um sorriso maroto ele percebeu que tinha uma porta amiga. Essa amizade dura já três anos.
Três pequeníssimas reformas foram parar nas mãos do Manoel. Claro que ele às vezes me um trabalho danado. Mas é recompensado pelo seu rosto iluminado. Faço-lhe as contas, pois descobri que é analfabeto. Explico-lhe as vantagens e desvantagens, porém o que manda mesmo é a fome.
Com o decorrer do tempo também descobri que quando não tem obra, cata qualquer material para trocar por comida. Muitas vezes passa na porta para perguntar se não tem serviço.
“Não tenho Sêo Manoel. Mas sempre tenho frutas, bolachas, pequenas guloseimas e um copo com água. Às vezes é um café da manhã que prefere tomá-lo sentado no degrau da casa, observando a rua, ao que ele sempre quer me presentear com algum material da catação”.
Mostra algum objeto e diz: Esse não é lindo. Ao que retruco: Sêo Manoel o senhor vai fazer dinheiro com isso, além do que essa casa é do tamanho de um ovo. Ele apenas sorri com toda a sua sabedoria de homem de rua!!!!
Nesse dia depois do Natal, vinha pensando, tem cerca de 20 dias que não o vejo. Com a idade avançada é uma preocupação.
Eis que de repente em frente a uma caçamba no Colégio do Rosário vejo uma figura. Era o Sêo Manoel!!!. Como velhos amigos trocamos cumprimentos.
Estou preocupado com a senhora. Não lhe vi mais. Ao que respondi: tenho corrido como uma louca. E ele: mais está tudo bem com a senhora?
E dessa vez só tinha uns trocados na bolsa. Mas estava tão feliz em vê-lo que esse foi o presente de Natal.
- Vou aceitar pois estou com fome, mas a senhora se lembre que prá mim o mais importante é saber que tem uma pessoa que conversa comigo.
Escrito por Luzia às 21h18
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